Wednesday, 16 July 2008

Cinzentos Coloridos

A teoria dos cinzentos coloridos era-me totalmente desconhecida até ter começado a trabalhar com Médiuns opacos (óleos, pasteis de óleo, etc.).

A procura dos cinzentos coloridos justifica-se com a tentativa de captar (com um Médium opaco) a riqueza e transparência de tonalidades que a aguarela consegue espontaneamente.

O que é conseguido de forma imediata com aguarela, tem que ser quase esculpido com Médiuns opacos.

Tendo sempre por base um estudo tonal (monocromático) muito bem definido, o prazer de esculpir essa transparência é ...
... quase mágico!

Mas atenção, nada que se compare com um delicioso trabalho em aguarela...




Em jeito de despedida e já com gosto ao mar que se aproxima aqui vai uma imagem das minhas relíquias de Abril passado, excelente para desenvolver um exercício de Cinzentos Coloridos...!




Agora só em Setembro chegam mais novidades, e das boas!!! (espero)

Wednesday, 2 July 2008

Introdução à Composição

O curso de desenho de 3 anos na S.N.B.A. chega ao fim, com um último trabalho de composição.

Como achei todo o processo de trabalho de grande importância para autores de diversos géneros de obras plásticas decidi deixar o registo da minha experiência, nomeadamente deste trabalho final do curso.

Matéria prima da composição

1. Através do desenho comecei por tomar conhecimento de um objecto que fosse rico de formas e significados... suficientemente interessante que me oferecesse renovados impulsos que sustentassem o esforço criativo que nos será exigido.

2. Fiz dezenas de estudos em A4 de movimento com caneta de aparo (experimentei tinta de escrever e tinta da china – descobri a enorme diferença entre as duas).








3. Um estudo luz-sombra em A3 conclui a pesquisa da matéria prima para o exercício de composição proposto. (Utilizei aguada com tinta de escrever, esferográfica e grafite 2B)




Composição

O objectivo do exercício agora é criar um padrão sem diferenciação de planos – bidimensional.

Deve-se procurar um desenho equilibrado e harmonioso, com linhas de força bem identificadas e desenvolvidas.

Passos que segui:

1. Trabalhar em A6: chegar a um desenho linear que será a ideia para a proposta final em A2.




Este desenho em A6 não pode simplesmente repetir a forma do objecto escolhido, mas sim a nossa interpretação dele. Deverá incluir as linhas que considero mais marcantes e que, no meu entender, caracterizam dominantemente o objecto.

Joguei compositivamente com os espaços negativos e positivos – equilibrá-los e dar-lhes formas interessantes harmoniosas e com ritmo.

2. Após a selecção de um desenho em A6, passamo-lo para A5



3. Já em formato A4 é importante fazer a simplificação do desenho (continuamente renovado) – identificando e marcando as linhas de força.




4. Segue-se um estudo tonal (fundamental) de forma a identificar claramente onde serão as zonas luminosas e as zonas escuras. Este passo não era obrigatório no exercício proposto, mas recomendo-o vivamente!

5. Passagem para o formato A3: aqui o desenho encontrado mantém-se e o estudo tonal é tido em conta.





6. Daqui para a frente foi feita uma pesquisa da cor, com pasteis de óleo – experimentando vários conjuntos de cores, adjacentes, complementares, etc. – respeitando sempre o estudo tonal feito na fase 4 e a presença obrigatória de uma cor dominante.

Trabalhar com pasteis de óleo (que era obrigatório) foi uma experiência totalmente nova, logo tive alguma inércia em avançar no início.


Este estudo foi ainda feito a cera (neocolorII):




Aqui já foram usados pasteis de óleo:


Uma vez conseguido o domínio comecei a aprender a juntar as cores, criar cinzentos coloridos e a perceber a tão falada “subtileza do tom”.

SUBTILEZA DO TOM :apenas conseguida através de misturas de cor com a devida parcimónia. Isolar as cores puras mas dando-lhes um subtil toque com outras, pertencentes à gama escolhida.



7. Passagem para formato A2: comecei por desenhar em papel craft com pastel de óleo (o desenho já conhecido em A3). Logo depois fiz o desenvolvimento com óleos : Amarelo Cádmio, Carmim, Azul Cobalto e Branco.

8. Introdução de colagem: sendo obrigatória, resumiu-se a 2 bocados de cartolina preta rasgada.




9. Neste 1º estudo a óleo em folha A2 resta introduzir a expressão de movimento (a óleo ou a pasteis de óleo), com traços soltos e gestuais, associada a texturas de mais colagens.

O trabalho só ficaria concluído quando se conseguir concretizar a ideia desenvolvida em folha A3 (passo 5). Para isso seria necessário continuar esta pesquisa a oleo em folha A2...


...o curso acabou, e agora é necessário continuar por conta própria, com a certeza de que se aprende fazendo, experimentando e acima de tudo, olhando os erros de frente, dando-lhes muita atenção, porque são eles que nos vão ensinar o caminho...

Tuesday, 1 July 2008

Quinta do Alcube

Após uma semana de intensas actividades de final de ano lectivo....


....chegam as novidades!


Deixo aqui o registo da minha passagem pela Quinta do Alcude (perto de Azeitão) no fim de Semana de 21/22 de Junho.




Acho que esta foto sintetiza o que se faz lá de mais importante: bom vinho e bom queijo!


Do vinho só sei das medalhas que ganha...., mas do queijo comprovo a qualidade!




Todas estas aguarelas foram feitas ao ar livre, algumas com a água corrente da ribeira que atravessava a Quinta.




Nesta utilizei apenas 3 cores em tubo: azul cobalto, terra de siena natural e terra de sombra. O suporte é papel de aguarela de 300g da canson (grão fino), 24 x 32cm.


Esta é a 1ª fase, após leve desenho a grafite 2B:



e aqui está a aguarela final:



NÃO FUI EU que esborrachei a joaninha!



Este simpáctico insecto caíu exactamente no sítio onde acabei por o colar, e serviu de ponto final, dei por acabado o trabalho e fui almoçar...

(já caíu esborrachado!)








Depois de almoço os gansos (sim, não são patos...)







Mais um dos estudos de cor efectuados, aqui só usei 2 cores:
Violeta e Amarelo Cádmio.

Este foi feito de memória, pois estava muito calor ao Sol!

1º Fase



e o resultado final:







Os outros também trabalham...


e o Prof. Brito orienta, mas sem forçar a vida!